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Estudo revelador
Portugueses fiéis a bancos quando fazem crédito à habitação

Escolher bancos para contrair crédito à habitação não é tarefa fácil. Nos dias de hoje muitas são as ofertas do mercado, que apresentam prestações distintas, mas a verdade é que na «hora H» a «fidelidade» acaba por falar mais alto.
Segundo um estudo da consultora Neves de Almeida, a primeira razão apresentada pela maioria dos inquiridos para escolher um determinado banco para contrair crédito à habitação é «já era o meu banco» (47,5 por cento).
Seguem-se as razões económicas como a «prestação mais baixa» e a «melhor taxa de juro» (32,7%). Esta informação revela que a capacidade dos bancos venderem crédito à habitação aos seus clientes é «muito elevada».
Mais de 70% tem prestação mensal inferior a 500 euros Verifica-se ainda que mais de metade dos inquiridos (54%) é cliente de outros bancos para além daquele em que tem o seu crédito à habitação.
O estudo desenvolvido pela consultora Neves de Almeida apurou que o prazo de contratação do crédito à habitação para 72% dos inquiridos se situa entre os 21 e 40 anos, sendo diminutos os prazos muito alargados (mais de 40 anos) e ainda mais raros os prazos muito curtos (menos de 10 anos).
Pouco mais de 50% dos inquiridos têm um prazo entre os 21 e os 30 anos No que respeita à prestação mensal, 73% tem um encargo inferior a 500 euros e apenas 3% dos inquiridos apresentam mensalidades acima de 800 euros.
Só 4,5 % dos portugueses disse ter mudado o seu crédito à habitação de banco, nos últimos 2 anos. As principais razões para a mudança foram a «obtenção de spread mais baixo» e o «aumento da prestação no banco anterior». Quase dois terços dos inquiridos afirmaram que não pagaram despesas de transferência aquando da mudança de instituição bancária.
Quando questionados sobre a intenção de mudança, mas agora sugerida por redução na prestação, 42% que antes tinham manifestado vontade de não mudar de banco alteraram a sua posição, manifestando agora disposição para a mudança.
No total, de forma espontânea e sugerida por redução na prestação, 62% dos inquiridos mostraram que estão potencialmente abertos à mudança de crédito à habitação para outro banco.
Garante Governador do Banco de Portugal: «Já obrigamos bancos a devolver dinheiro a clientes» Vítor Constâncio diz que a maioria das reclamações é resolvida dentro dos bancos.
O Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, garantiu que o órgão regulador detectou uma série de irregularidades nas inspecções que fez e, no caso da mobilidade do crédito à habitação, já obrigou os bancos a devolver dinheiro a clientes. «Tudo isto porque as instituições não estavam a cumprir com o que estava previsto na lei», referiu o responsável durante a sua apresentação no seminário «Serviços Financeiros e a Defesa do Consumidor», promovido pela Deco.
Em relação às reclamações dos clientes, Constâncio garantiu que a grande maioria acaba por ser resolvida pelos bancos. «Há reclamações que chegam directamente ao Banco de Portugal e há outras que vão directamente para os bancos, mas a sua maioria é resolvida dentro das instituições», concluiu.
Deco acusa bancos de falta de transparência Associação reconhece que há menos cláusulas abusivas do que havia há uns anos atrásPara o vicepresidente da Deco, Alberto Regueira, existe falta de transparência e, até mesmo publicidade enganosa em determinados contratos financeiros.
«Quando se faz a oferta de um determinado produto e uma parte da mensagem é dada a uma velocidade de 100 ou de 300 quilómetros à hora há sempre informação que fica pouco transparente», refere o responsável à margem do seminário «Serviços Financeiros e a Defesa do Consumidor», promovido pela Associação de Defesa do Consumidor.
Apesar das críticas, o responsável reconhece, no entanto, que neste momento há menos cláusulas abusivas do que havia há uns anos atrás. «Temos de estar sempre muito atentos quando fazemos contratos com bancos e seguros de uma forma geral. Temos de ter uma atitude permanente de atenção, mas reconheço que, neste momento haverá menos cláusulas abusivas do que havia há uns anos atrás. Isto porque temos estado atentos e o Governo também», salienta.
Fim das cláusulas abusivas Independentemente das melhorias registadas, Alberto Regueira apela ao fim das cláusulas abusivas em todos os contratos do sistema financeiro. «Por exemplo, os portugueses têm dificuldades em mudar de banco e com isso beneficiar das melhores condições de mercado, porque há cláusulas que estão previamente fixadas e nem todas têm em conta os interesses dos consumidores», refere o responsável.
O vice-presidente da Deco diz ainda que o protecção dos consumidores «é um processo que está sempre em curso e sempre com problemas novos por resolver», acrescentando ainda que, «para isso é necessário que haja um controlo muito eficaz por parte das autoridades reguladoras do mercado, que têm de cumprir de forma integral e aprofundada o seu papel. Há situações no mercado internacional alarmantes», conclui.

in: Gondomar Económico, Abr08

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