| O presidente da associação,
Graciano Martinho, não esqueceu a crise económica
que se tem vindo a sentir, razão pela qual algumas
pessoas não foram convidadas. No seu discurso, acutilante
e incisivo, o empresário afirmou que “de há
30 anos para cá, pouco de bom se fez, com a agravante
de que a maioria das oportunidades, devidamente apoiadas pela
Comunidade Europeia, foram desperdiçadas”, nomeadamente
“valores destinados ao nosso desenvolvimento, à
criação de estruturas sólidas, para o
futuro, não foram utilizados, a nosso ver, nas prioridades
necessárias, como por exemplo, uma delas, no sector
económico que bem apoiado nos traria a riqueza que
para tudo daria, com certeza”. Sem esquecer a responsabilidade
dos “nossos políticos, quantos deles, a leste
da realidade do mundo real, o do esforço, do sacrifício,
do trabalho e vida real da população”,
segundo o dirigente “responsáveis, pela sua falta
de capacidade, da situação actual em que vivemos”,
Graciano Martinho conclui: “precisamos mais de trabalho
e de mais acção do que conversa”.
Procurando dar o exemplo, a direcção da ACIG
pretende encontrar “o rumo para o qual foi fundada,
isto é, a da defesa intransigente dos interesses dos
empresários, saliente-se, os seus associados, e, com
uma estabilidade financeira invejável, prova evidente
da firmeza e do sentido responsável dos empresários
que a dirigem”. No entanto, o dirigente assegura que
essa não tem sido uma missão fácil. “Quando
tomamos posse dos cargos, como pensavam e pensam a grande
maioria dos associados, também nós, pensávamos
na necessidade de vir a, rapidamente, alterar o que, internamente,
claramente estava menos bem e vir a dinamizar, com os mais
variados movimentos, feiras, concursos, sorteios, colóquios,
etc., a imagem da ACIG junto de todo o empresariado do concelho”.
A direcção terá encontrado “a ACIG
no meio de grande confusão, diga-se, de certa forma,
até descaracterizada”, transformada numa “autêntica
agência de contribuintes, ainda por cima, com uma prestação
de serviços deficiente e servida com uma excessiva
equipa de pessoal, sendo que, alguns deles, impreparados e
com atitudes nada condizentes com as funções
para que foram admitidos. Eram 16 ou 17, agora são
oito que, a curto prazo, vão ter de provar serem os
melhores, pois, caso contrário, garanto-vos, não
ficaremos por aqui”, asseverou Graciano Martinho.
O dirigente criticou, também, a atitude revelada por
alguns empresários que “depois de se servirem
da nossa máquina, do nosso investimento, do trabalho
carola da nossa direcção e ficarem com a divulgação
e promoção à custa da nossa tesouraria,
nos tenham abandonado, não sendo hoje, alguns deles,
associados da ACIG”. Apesar disso, o êxito alcançado
por algumas das melhores feiras realizadas em Gondomar fazem
a ACIG sonhar num futuro bem mais risonho. A pensar nisso
está a edificação de uma nova sede, em
terreno doado pela autarquia aquando do centésimo aniversário.
O projecto de arquitectura está já concluído
e aprovado, tendo sido apresentada uma candidatura ao Ministério
da Economia, através da Direcção-Geral
do Comércio. As obras, orçadas em 850 mil euros,
irão arrancar ainda durante este ano.
Antes de terminar o discurso, Graciano Martinho apontou as
baterias para os opositores internos, alguns dos quais membros
da direcção, que entretanto se demitiram. Em
ano de eleições, o dirigente recorda os dez
anos de vida associativa que já carrega aos ombros.
“Estou farto de ser apontado por isto e por aquilo.
Não estou para isso”, garante. “Perfilem-se
os candidatos, podem estar certos de que quem se apresentar,
reunir as condições ideais para dar continuidade,
digna, aos desígnios da nossa Instituição,
eu, podem estar certos, não lhe farei frente”,
afirmou, no que foi secundado pelo presidente da Assembleia
Geral, Luís Aguiar.
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